The limits between Exploration and Slavery in the Carnauba Wax Cycle Cristiana Costa da Rocha Revista Da Faculdade De Direito Da Universidade Federal De Minas Gerais, 2020 A cera de carnaúba passou a ocupar lugar de destaque no conjunto das exportações do Piauí nos primeiros anos do século XX, e teve seus tempos áureos a partir de 1940, quando o estado superou o Ceará, até então considerado o principal produtor da cera. Embora inovações tecnológicas tenham sido introduzidas na preparação da cera, para extração do pó, os trabalhadores do nosso tempo ainda executam atividades já consideradas rudimentares nos seus tempos áureos. Trata-se de um trabalho árduo, braçal, descrito pelos nossos entrevistados como passíveis de danos irreversíveis à saúde. Além dos danos causados à saúde, esses processos resultam, ainda, em perdas no plano ecológico, pelo excesso de cortes a que são submetidas as carnaubeiras. No ano de 2014, foi flagrado o primeiro grupo de trabalhadores em condição de trabalho escravo em áreas arrendadas para a extração do pó da carnaúba no Estado. A partir das experiências de famílias de trabalhadores extrativistas, pretendemos compreender os mecanismos que favorecem o processo de naturalização da exploração nesse tipo de atividade, claramente toleradas por grupos tradicionais e passadas de geração a geração, e os limites entre a exploração e a escravidão pensados tanto pelos trabalhadores como pelo Estado. Além de fontes orais, foram analisadas fontes escritas, acessadas em acervos da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego - SRTE, Ministério Público do Trabalho – MPT. A pesquisa foi iniciada no âmbito da Rede de Ação Integrada para Combater a Escravidão - Raice, CPT/CDVBH-CB, e continuada através do Programa de Bolsa de Iniciação Científica – PIBIC.
Returnees: Some reflections on the social conditions and survival of enslaved rural migrant workers in the present time Cristiana Costa da Rocha Revista Brasileira De Historia, 2012 O artigo é dedicado ao estudo de trabalhadores rurais de Barras, Piauí, que migram repetidas vezes para os estados do Pará, Mato Grosso e Goiás e vivenciam formas de trabalho análogo à escravidão. Após um longo período do ano longe de casa, eles chegam cheios de notícias sobre o trabalho duro e a exploração, o pouco salário, as ilusões, as agruras, o engodo praticado pelos empreiteiros, sobre o que os faz ter vontade de voltar para o seu mundo. E, passado o período da entressafra, partem novamente, vestidos em suas melhores roupas como em um dia de festa, imbuídos pelo desejo de materializar sonhos, maravilhados por um mundo cujos perigos lhes impõem desafios.